Rotina ou na falta de.
Fevereiro 22, 2008
Com um trabalho regular e quatro freelas, aula a ser dada na segunda que vem, num curso novo (o que significam stresses diferentes dos habituais) e alunos cheios de perguntas para as quais não há resposta no mundo dos vivos (não ainda), duas viagens marcadas para os próximos dias, sendo uma a trabalho e outra de puro deleite, torcendo para que tudo dê certo e sem atrapalhos e que a inteligência universal divina ou seja lá o que está por trás disso tudo mê dê uma forcinha para que tudo saia bem, a tempo e a contento.
O tempo tem ajudado já que não faz aquele calor monstruoso e ainda estamos muito longe do frio, o que significa uma temperatura variando entre 20°C e 25°C. O ideal para manter a concentração, a habilidade e, é claro, para que os assuntos não girem em torno do tempo e suas consequências.
Já as tempestades…
Alguém poderia fazer um favor de explicar aos arquitetos que luz não se teletransporta e que os fios elétricos não são necessáriamente bonitinhos, não “compõem a decoração” mas são imprescindíveis ao funcionamento dos aparelhos e luzinhas que eles tanto desejam. Por falar nisso, há uma maneira de dar a luz sem dor, ou quase.
Meu cartão de ponto está ::quase:: exemplar. Nada vermelhinho, sem atrasos. Claro que não há adiantos também.
Mas não, os problemas não sumiram, assim como os vizinhos mais malas do planeta também não. Agora há agravantes: eles têm cachorrinhos novos e que choram a noite toda – de fome. Como é que pode, um povo desses ter a guarda de alguma criatura viva?
E, na atual conjuntura, o que mais me importa vai bem: Estão todos com saúde. Não há ninguém com doenças graves, nem internado, nem na iminência de catástrofe. E repito: na atual conjuntura, isso é o que mais me importa.Para o desestresse geral da nação, bordo toalhinhas. E academia, nada.E o regime, virou des-regime. Já que não tenho tempo pra comer, quando como é por dias de privação. Então voltei a carregar barrinhas na bolsa, garrafinha dágua. A bolsa aumentou de tamanho, claro.
Anatomia do inexplicável
Fevereiro 22, 2008

A paixão é neurótica e vive procurando motivo para se autodestruir. Reuní algumas teorias, todas do senso comum, óbvio, porque esse blog não tem cunho científico nem objetivo acadêmico, na tentativa de explicar o que não se explica. Todavia, em momentos de falta de senso, qualquer teoria do senso comum pode ser bastante eficiente.
Dizem que nas paixões avassaladoras o prazo entre o apogeu e o declínio é muito breve. Breve? Especificamente, quanto é a medida de “breve”? Um ano, um mês, um dia? Uma vida inteira? Pela falta de precisão da medida acredito que breve é tudo aquilo que deveria ter durado muito mais tempo. Ou ainda, em outra definição, é tudo aquilo que foi resumido, cortado em partes, mal saboreado.
E o que fica depois desse período? O que sobra?
Dizem que a paixão intensa sempre acaba. O que virá em seu lugar é um mistério, mas três hipóteses são possíveis.
A primeira hipótese, dizem os mais sabidos, é uma ferida aberta (e eu não conheço figura de linguagem mais gasta do que esta). Tornam a vida irrealizada, estancada, meio amarga. Há quem goste de coisas meio amargas. A última história que li e acabou assim foi a de Camile Claudel. Ela enlouqueceu e, dizem, passou a rasgar dinheiro.
Na segunda hipótese, a paixão se esvai com ——– (tempo, incompatibilidade, rotina ou qualquer outra explicação conveniente), vira uma fumaça e quando for ver já não existe mais nem a sombra de sentimento algum ali, nem ódio, nem mágoa, nem carinho, nada. Deixa um oco. Como se nunca tivesse acontecido. E onde existiam lembranças de algo assim, passa a existir uma placa de ‘aqui jaz’ e tudo vira bossa. Cada uma vai para o seu lado, não restando nada em comum. Não ouvi contar casos relevantes sobre essa hipótese, a não ser em revista Caras. Até porque essa hipótese não é mesmo relevante.
E na terceira hipótese – e aquela para a qual fazemos toda a torcida do mundo - Um outro jeito de acabar (que não é acabar, é transformar) é quando vira amor. Quando apesar, e por causa de, todas as mágoas, palavras atravessadas, esperas angustiosas, situações embaraçosas as pessoas acreditam ainda no futuro juntas. Mas, ao contrário das outras duas, a terceira hipótese dá um trabalho do cão. É preciso reiventar a forma e o conteúdo, aturar diferenças, reformular o modelo, não acomodar-se, concentrar-se, engolir uns sapos em silêncio, abrir mão de algumas coisas, aceitar que se vai ganhar outras. E, antes de tudo, é preciso do empenho de duas pessoas. Uma só não consegue levar o projeto adiante. Devia ser a isso, a todo esse trabalho, que Vinícius se referia quando escreveu tantas regras em “Para Viver Um Grande Amor”. E ao que me parece ele tentou. E tentou umas nove vezes.
Prólogo
Fevereiro 18, 2008
Pela atenção, obrigada.